CORRIMENTO EM MENINAS
O corrimento vaginal, durante a infância e adolescência, é uma das preocupações mais comuns das mães de meninas, em consultório. O susto que elas levam ao depararem-se com a calcinha suja é muito grande! Milhões de dúvidas e angústias surgem em sua mente: O que será que provocou isso? Como esta sujeira veio parar aqui? Será que preciso me preocupar com alguma questão sexual?
Há dois momentos na vida de uma menina em que um corrimento normal, fisiológico como chamamos, pode aparecer: na bebê recém-nascida até por volta de 1 mês de vida que ainda sofre estímulo dos hormônios da mamãe, e na menina que, em alguns meses, terá a primeira menstruação (chamamos de menarca, ela exterioriza uma secreção mucóide branca leitosa ou transparente, que se torna amarelada após ressecamento na roupa, podendo servir como um indicador de que o ciclo menstrual está se aproximando).
A menina pré púbere não apresenta rotineiramente este corrimento fisiológico que conversamos acima, então, em geral, ele é devido à falta de higiene pessoal e facilitado pelas condições anatômicas desta idade (uma maior proximidade entre o ânus e a vagina, e os órgãos genitais desprovidos de pêlos pubianos). Havendo, então, um descuido com a limpeza, podemos encontrar na calcinha, um corrimento amarelo esverdeado, mau cheiroso, acompanhado ou não por coceira, assadura ou ardência.
A primeira coisa é desfazer a confusão entre o que seria uma secreção patológica (quando o corrimento assume uma coloração amarelada ou marrom pardo, com cheiro ruim) e o corrimento fisiológico (secreção branca ou amarelo claro, viscoso, sem cheiro), através de uma longa conversa entre os pais, a criança e seu médico.
Algumas medidas simples ajudam a evitar o aparecimento desse corrimento escuro e mau cheiroso: preferir calcinhas de algodão às sintéticas, evitar papéis higiênicos ásperos, coloridos ou com perfume, evitar calças justas e não usá-las por tempo prolongado, manter as unhas curtas e limpas, lavar bem a região anal após evacuação, ensinar as meninas como fazer a higiene (de frente para trás), quando ainda há uso de fraldas fazer trocas com higiene frequente, não sentar no vaso sanitário em locais públicos (forrar a tampa do sanitário), passar com ferro o forro da calcinha, orientar as meninas a não deixarem escapar xixi (muitas crianças, para não pararem de brincar, acabam urinando um pouquinho na roupa).
O tabu que se têm em relação à genitália feminina é um grande obstáculo que precisamos deixar para traz. E para vencê-lo, é muito importante que todas meninas (e todas as mulheres) se conheçam, que cada uma examine a anatomia da sua vagina, pegando um espelho e colocando-o entre as pernas para enxergar os pequenos lábios, os grandes lábios e toda a estrutura de sua genitália. Vamos quebrar este tabu, meninas?
Dra Soraya Cristina Sant’Ana
Homeopata
Pediatra
Endocrinologista Infantil
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