Cada indivíduo é único, perante seus semelhantes.

E para cada um de seus momentos, há um medicamento específico.


Os livros de matérias médicas dos medicamentos homeopáticos são compêndios de sinais e sintomas que   foram observados após a experimentação de cada medicação, em pessoas saudáveis. Na elaboração de sua matéria médica, Hahnemann, o pai da homeopatia, experimentou cada substância, a fim de conhecer o que cada uma delas provocava e anotou todas as observações. Cada experimentação foi feita de forma muito diluída, para diminuir o risco de intoxicação. Posteriormente, experimentou tais substâncias em diferentes indivíduos, homens e mulheres, em diferentes fases da vida com diferentes temperamentos e constituições. Observou e anotou tudo o que estes experimentadores, previamente saudáveis, referiram de sensações após o uso. Para melhor clareza dos sintomas apresentados, ele avaliou um a um dos medicamentos, em separado, não em associação. Cada qual de uma vez.


Há algumas publicações, aqui em nossa coluna Homeopatia em foco, estamos conversando sobre os princípios da homeopatia. Cada indivíduo é único, perante seus semelhantes. E para cada momento de vida desta pessoa, há um medicamento específico, escolhido baseado nas informações colhidas na tomada de caso (explico esses conceitos em uma publicação anterior, aqui no Diário Popular, em que falo sobre a individualização). Falaremos hoje de outro princípio homeopático: o medicamento único. Esse princípio é uma consequência da técnica da experimentação, na qual se utiliza uma substância de cada vez, isoladamente.

No livro de Matéria médica, encontramos cada medicamento em separado. Quando administrado dois ou mais medicamentos simultaneamente, mesmo conhecendo cada um individualmente, não teremos certeza de que um não interferirá na ação do outro. Dessa forma, não saberemos o que esperar como resultado. Hahnemann recomenda utilizar um único medicamento por vez, usando somente outra substância quando a ação desse primeiro tiver se esgotado. Um tratamento adequado é aquele quando o medicamento for único e homeopaticamente escolhido para cada pessoa.

A doença é a desarmonia da energia vital, o indivíduo adoece como um todo, não em partes ou em seus órgãos, assim, a administração de mais de um medicamento ao mesmo tempo, vai contra o princípio vitalista. Então, para cada momento do paciente, há um medicamento único. A intenção é que ele aja sobre a energia vital do indivíduo para se obter uma reação que o auxilie a encontrar um novo equilíbrio.

Finalizo o texto de hoje com as palavras de Hahnemann: “Em nenhum caso sob tratamento é necessário e, portanto, permissível administrar a um paciente mais de uma única e simples substância medicinal de uma vez. É inconcebível possa existir a menor dúvida quanto ao que é mais de acordo com a natureza e mais racional, prescrever um único, simples medicamento bem conhecido de cada vez em uma doença, ou a misturara de diversas drogas. Não é absolutamente permissível em homeopatia, a única verdadeira, simples e natural arte de curar, dar ao paciente duas substâncias medicamentosas diferentes de uma só vez”. (Organon da arte de curar, § 273)


Dra. Soraya Cristina Sant’Ana

Médica Homeopata

http://drasorayahomeopata.com.br

Whatsapp: 11 971052014


Link da matéria no Diário Popular:

https://www.diariopopulardesp.com.br/colunistas/post/medicamento-unico-um-principio-homeopatico/440/


Link da matéria no Medium:

https://medium.com/similia/medicamento-único-um-princ%C3%ADpio-homeopático-e631ee26615b